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Mulheres indígenas ajudam a recompor matas ciliares em fazenda do Mato Grosso

June 18, 2019

 

Nos últimos anos, só em Mato Grosso, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as perdas com desmatamento têm sido de quase 2 mil quilômetros quadrados por ano, área maior que a cidade de São Paulo. 
 
O que vimos nos últimos 40, 50 anos é que produtores rurais destruíram as matas ciliares que protegiam as águas, contaminando, assim, rios e nascentes. Hoje, muitos produtores rurais em Mato Grosso começam a restaurar o entorno dos rios que passam pelas fazendas deles e que foi indevida e ilegalmente desmatado. 

                                                                                                         foto - revistagloborural.com


No mundão de terra que é a Fazenda Vera Cruz, com seus 43 mil hectares, em Canarana (MT), o dono Henrique Gonçalves está reflorestando as áreas vizinhas aos cursos d’água da propriedade. 
 
“Essa é uma das nascentes do Córrego Quebrado, cujas águas percorrem 22 quilômetros até desaguar no Rio Xingu. Se eu poluo aqui, essa poluição vai chegar às cidades aí para frente”, diz Henrique. “A gente tira nosso sustento da terra e a gente tem o dever de proteger a terra e a água.” 

                                                                                                         foto - revistagloborural.com


Henrique está fazendo esse trabalho junto com os técnicos do Instituto Socioambiental (ISA), que desde 1994 trabalha com projetos sociais e ambientais no Brasil. O ISA criou, em 2007, o Banco de Sementes do Xingu, para ajudar na restauração de ecossistemas degradados. O instituto cede as sementes e orienta os produtores, que entram com o maquinário e a mão de obra dos funcionários. 
 
O ISA também criou a técnica da muvuca, inspirada na tradição indígena. Sementes de pelo menos 80 espécies de árvores são misturadas e depois lançadas à terra pelas plantadeiras, para que ali não apenas árvores brotem, mas uma floresta. Só na Vera Cruz, o ISA cedeu ao produtor 300 quilos de sementes para reflorestar 3 hectares da fazenda. 
 
É um trabalho de formiga. O ISA, em parceria com produtores rurais, organizações de ensino, de pesquisa, pequenos e médios agricultores, índigenas e poder público, conseguiu reflorestar em 12 anos de trabalho uma área de 4 mil hectares, apenas 1,34% dos mais de 300 mil hectares de matas ciliares que precisam ser reflorestados na bacia do Rio Xingu. 
 
 

Reprodução e matéria completa - https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Sustentabilidade/noticia/2019/06/mulheres-indigenas-recompoem-mata-ciliar-em-fazendas-de-mato-grosso.html

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